Autoimagem e marca pessoal: antes de se mostrar, é preciso se reconhecer
Se reconhecer, se expressar e se movimentar no mundo como você já é tem se tornado cada vez mais urgente.
Encaremos a realidade: existe uma indústria, para não dizer uma sociedade, que lucra quando mulheres não se sentem confortáveis em serem quem são. Quando mulheres sentem que precisam de procedimentos estéticos, de mais vezes no ginásio, de mais maquiagem, de menos álcool, é aí que constantemente não nos sentimos capazes de agir.
Aprendemos desde cedo que existe uma versão melhor de quem nós somos nos esperando lá na frente. Nesse caminho, investimos tempo, dinheiro e energia perseguindo um visual que nunca chega, porque foi desenhado para existir apenas em uma minoria e, sobretudo, para que nunca alcancemos de fato o ponto de chegada.
Enquanto isso, a vida real segue desejando a nossa presença, e nós seguimos adiando algumas decisões e experiências por não nos sentirmos prontas.
Depois, pensando em como esse labirinto da dúvida reverbera em outros sentidos, quanto menos autoestima temos em ser quem somos, menos colocamos a nossa voz no mundo. Menos impomos nossos limites, menos discordamos do que não faz sentido, menos cobramos o que é justo, e tantas outras atitudes que vão tirando o valor daquilo que com tanto cuidado construímos.
O mundo atual já não é o de alguns anos atrás. Nessa lógica do digital, todo mundo precisa construir uma presença online. Para profissionais e empreendedoras, isso significa também pensar na própria imagem profissional e na forma como sua marca pessoal é percebida. Ninguém tem que nada, diriam nossas mães, mas com base na nossa experiência enquanto usuárias e consumidoras, sabemos que lembramos de quem muitas vezes, realmente, aparece.
O que quero dizer não é que estar bonita na foto importa. A construção de uma imagem pessoal coerente começa antes da fotografia. Ela começa na forma como nos reconhecemos, compreendemos nossa trajetória e escolhemos como queremos nos expressar. É por isso que autoimagem e marca pessoal estão tão profundamente relacionadas. A foto bonita é a ponta do iceberg, que vira ruína se não estiver num alicerce firme que sustente o todo.
Se reconhecer, se validar, encontrar caminhos para colocar o seu eu em movimento é o que vai, de fato, te ajudar a subir degrau a degrau nessa escada espiralada que vai te levar a ser quem você é.
Cabe a cada mulher começar esse movimento por dentro, antes de qualquer câmera ou post — através do encontro com a própria trajetória, sem esperar estar pronta para isso. Sem esse encontro, a imagem é só superfície, e superfície não sustenta trajetória nenhuma.