Fotografia de marca pessoal: o que estamos dizendo quando escolhemos como aparecer?
Muitas clientes chegam até mim buscando fotografia de marca pessoal dizendo que querem se mostrar de forma profissional, e eu entendo perfeitamente o que elas querem dizer. Elas querem ser percebidas com seriedade, confiança e coerência com o trabalho que construíram.
O problema começa quando parecer profissional passa a significar apenas uma determinada aparência: estar bem vestida com um blazer e uma calça de alfaiataria, usar o cabelo de determinada maneira, estar em um ambiente x ou y, etc.
Uma fotografia pode cumprir todos esses requisitos e ainda assim dizer muito pouco sobre a pessoa que está diante da câmera.
O que costumo dizer para as clientes é que quando ela escolhe uma fotógrafa para guiá-la nesse processo, ela vai conseguir fotografias profissionais. Esse movimento, por si só, já comunica alguma coisa: existe uma intenção e um investimento na maneira como ela está escolhendo se apresentar.
Mas o que queremos comunicar para além disso?
Profissionalismo não é uma estética, e fotografia não é inventário.
Como assim?
É possível ser profissional saindo do escritório e enquadrando uma pessoa na praia, na natureza ou em sua própria casa. É possível ser profissional saindo do salto e pisando o chão descalça. É possível ser profissional dando uma gargalhada e mostrando todos os dentes.
Outra questão que acho importante que possamos refletir é que separar elementos que associamos a determinada profissão não faz com que eles comuniquem, por si só, alguma coisa.
Pensemos num exemplo clássico: advogadas.
Escolher um escritório amadeirado, uma roupa de alfaiataria azul-marinho, alguns contratos sobre a mesa e um olhar firme para a câmera não necessariamente comunicará confiança e estratégia. Isso porque os elementos não possuem um significado fixo.
O sentido da imagem nasce da relação entre elementos, a pessoa e o contexto em que essa profissional se encontra.
Por isso, não adianta pensarmos apenas no nicho como referência. Se fizermos isso, corremos o risco de escolher elementos aleatoriamente e produzir significados estereotipados, deixando de explorar justamente aquilo que pode tornar aquela imagem particular: personalidade e contexto de marca.
Uma arquiteta, uma terapeuta, uma chef, uma advogada, uma artista e uma consultora podem ser igualmente profissionais e construir universos visuais completamente diferentes.
Então a pergunta não deveria ser: Como parecer profissional?
Mas: O que torna a minha forma de estar no mundo reconhecível?
Quem sou eu fazendo o que faço para as pessoas que compram os meus serviços?
A fotografia pode comunicar através dos elementos que escolhemos, mas também através da atmosfera, do enquadramento, da luz, do movimento, da textura, da distância e de tantas outras escolhas que participam da construção de uma imagem.
Fotografar uma pessoa com o objetivo de criar imagens para a sua marca pessoal não é decidir apenas como ela vai aparecer. É decidir o que queremos que seja percebido quando ela aparece.
Talvez por isso eu prefira pensar em fotografia de marca pessoal a partir de uma pergunta menos óbvia: Que mundo começa a existir quando essa pessoa finalmente aparece?
Quais cores aparecem? Que objetos fazem sentido? Que lugares pertencem a ela? Que gestos são seus? Que texturas, referências e atmosferas ajudam a contar essa história?
É desse conjunto de relações que nasce o que tenho chamado de Universo Visual de Marca Pessoal.
Uma fotografia não precisa apenas mostrar uma pessoa. Ela pode (e deve) nos fazer imaginar como é entrar no seu universo — é esse o grande potencial da imagem quando deixamos de pensar apenas em como queremos parecer e começamos a pensar em como queremos ser percebidas.
Até porque, profissionais, nós já somos :)